Programa Resenha Esportiva na Meio Norte FM de Camocim - 14/02/2021

segunda-feira, 15 de março de 2021

UM ANO DE CASTELÃO E PV SEM TORCIDA: ESTÁDIOS ABRAÇAM FUTEBOL E LUTA CONTRA COVID-19; RELEMBRE FATOS


Há exatamente 365 dias, dois jogos entravam para a história do futebol cearense: Ceará x Sport, na Arena Castelão, e Pacajus x Ferroviário, no Presidente Vargas (PV). Vovô e Tubarão venceram as partidas naquele 15 de março de 2020, mas o destaque foi a ausência de público nos estádios. Foram os primeiros jogos sem a presença de torcida no Estado por causa da pandemia de Covid-19 e ainda não há previsão para o retorno dos torcedores às arquibancadas.
Um ano depois dos primeiros confrontos sem torcida, tanto Castelão quanto PV, os principais estádios do Ceará, têm participação decisiva no que diz respeito a pandemia, acumulando história de sobra no combate à doença no Estado. Ambas as praças são peças-chaves no enfrentamento à Covid-19, servindo de local de vacinação ou até mesmo hospital de campanha.
Para relembrar os acontecimentos do último ano na Arena Castelão e no PV, o ge preparou uma retrospectiva com os pontos de destaque em cada um dos estádios. Confira:

Arena Castelão

O estádio recebeu, ao longo de um ano com portões fechados, partidas válidas por seis competições diferentes: Nordestão, Campeonato Cearense, Séries A, C e D do Brasileirão e Copa do Brasil. Foram disputados, até o momento, 61 jogos no local sem a presença do público. Vovô e Leão se destacam como os principais mandantes.

Março de 2020

Até aquele momento, o maior estádio do Norte-Nordeste havia recebido apenas um jogo com capacidade máxima em 2020: o duelo entre Fortaleza e Independiente-ARG, em 27 de fevereiro do ano passado, pela segunda fase da Sul-Americana. Na ocasião, 57.223 lotaram as arquibancadas do Castelão.
Com o agravamento da pandemia, Ceará x Vitória foi o último jogo com torcida no local, em 12 de março. Três dias, após decretos da justiça e do Ministério Público, o Vovô recebeu o Sport pela Copa do Nordeste. O Alvinegro venceu, mas no dia seguinte, todas as competições de futebol do país foram paralisadas.

Julho de 2020

Em 15 de julho, exatamente quatro meses depois da última partida, Guarany-S e Fortaleza entraram em campo pela retomada do Campeonato Cearense. Cercado de protocolos, o retorno foi com goleada tricolor por 5 a 0, ainda sem a presença do público. O estádio ainda disputaria para receber a reta final da Copa do Nordeste, mas a competição acabou sendo finalizada inteiramente na Bahia.

Agosto de 2020

Depois do período na Bahia para terminar o Nordestão, Fortaleza e Ceará - campeão regional - voltaram para o início da Série A do Brasileirão e a retomada da Copa do Brasil. A Arena Castelão protagonizou o primeiro jogo da elite do futebol nacional sem público: o duelo entre o Tricolor e o Athletico-PR.

Setembro de 2020

Depois de três Clássicos-Rei (um em fevereiro e dois em julho), Ceará e Fortaleza teriam mais dois embates pela frente: um pelo Brasileirão e outro pelo Cearense. No primeiro, vitória alvinegra por 1 a 0 com gol de Vina. No segundo, triunfo tricolor por 2 a 1 com Tinga como protagonista.
O desgaste no gramado passou a ficar notório, pois além de Vovô e Leão, o Ferroviário mandava jogos no estádio pela Série C, e o Floresta, pela Série D, pleiteava jogar no Castelão. Após determinação da CBF, porém, Tubarão e Lobo tiveram que sair de Fortaleza para atuar no Domingão, em Horizonte.

Outubro de 2020

Em um dos últimos atos como técnico do Fortaleza, Rogério Ceni conduziu o time ao quarto título da sua passagem no comando do clube: o 42º troféu cearense. Novamente com Tinga como peça-chave, o Tricolor venceu o Ceará por 1 a 0 e se sagrou campeão estadual.

Novembro de 2020

Um verdadeiro jejum pairou no estádio para Ceará e Fortaleza. Durante 30 dias, apenas o Alvinegro venceu no estádio: o 1 a 0 em cima do Santos pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Depois disso, os dois times acumularam empates e derrotas em sequência. Além disso, o Tricolor perdeu Rogério Ceni, que foi para o Flamengo, e estreou Marcelo Chamusca no comando, no jogo contra o São Paulo.
Depois de cambalear na Série C, se afastar da segunda fase e ficar ameaçado pelo rebaixamento, o Ferroviário voltou ao estádio para se despedir da competição de forma gloriosa. O Tubarão de Marcelo Vilar atropelou o Imperatriz por 7 a 0 - a maior goleada do Castelão no ano.

Dezembro de 2020

O último Clássico-Rei da temporada ocorreu no dia 20 desse mês e terminou com vitória alvinegra por 2 a 0 pelo Brasileirão. Uma semana depois, na última partida do ano, o Fortaleza ainda reencontraria o ex-treinador Rogério Ceni no jogo com o Flamengo. O duelo terminou um empate sem gols.

Janeiro de 2021

Os protagonistas deste mês são o Floresta e o próprio estádio. O Verdão da Vila Manoel Sátiro venceu o tradicional América-RN por 2 a 0 nas quartas da Série D, encaminhando o acesso inédito à Terceirona nacional após empatar com os potiguares em Natal. O time até chegou na final da competição, mas no dia do primeiro jogo da decisão com o Mirassol-SP, teve de atuar no Carlos de Alencar Pinto.
A partida mudou de lugar por um incidente trágico no dia 30. Um curto-circuito em uma cabine de rádio deu origem a um incêndio na Arena Castelão. Ninguém ficou ferido. As chamas provocaram temor por novos acidentes, e fizeram o embate entre Ceará e Athletico-PR pela Série A ser disputado mais cedo.

Fevereiro de 2021

Ceará e Fortaleza encerram a temporada de 2020 com atuações importantes no estádio, mas a esperança do retorno à normalidade começou desde o dia 6. Com as liberações de vacinas, a Arena Castelão virou ponto de vacinação contra a Covid-19 em esquema de drive-thru, que ocorre no estacionamento. A praça é um dos principais locais de imunização na capital cearense.

Março de 2021

Vovô e Leão já estrearam na nova temporada pela Copa do Nordeste, mas com índices de Covid-19 no Estado mais altos do que na primeira onda, o Governo decretou que o Campeonato Cearense não poderia ser disputado no Ceará. Apesar disso, tanto o Nordestão quanto a Copa do Brasil seguem liberados.

Presidente Vargas

Diferente da Arena Castelão, o PV, administrado pela Prefeitura de Fortaleza, teve apenas a partida entre Pacajus e Ferroviário, pelo Campeonato Cearense, com portões fechados. A escalada de casos de Covid-19 fez o órgão municipal utilizar o segundo maior estádio do Ceará como hospital de campanha, a exemplo de outros estados do Brasil.

De março a setembro de 2020

Dias após a paralisação do futebol, o PV, que em janeiro havia recebido a histórica reedição da final da Copa do Mundo de 1994 entre Brasil e Itália, passou por obras emergenciais que durariam menos de um mês. O foco era abrir um hospital de campanha para aumentar a quantidade de leitos para infectados com a Covid-19.
A unidade foi inaugurada em 18 de abril e era o principal ponto da Prefeitura de Fortaleza para atender os doentes em estado mais grave. Até agosto de 2020, o hospital do PV atendeu mais de 1200 pacientes. Desse contingente, 1025 ficaram recuperados e 140 pessoas morreram. O local foi desativado em setembro com a redução de casos de Covid-19.

De setembro de 2020 a março de 2021

Após a desativação do hospital de campanha, a Prefeitura de Fortaleza havia iniciado o processo de licitação para a reforma completa do gramado do PV. O objetivo era de que o campo ficasse com sistema de drenagem com padrão de Copa do Mundo para voltar a receber jogos profissionais. O prazo inicial de duração das obras era de cinco meses, para ser entregue em 2021, sem data definida.
Apesar disso, as obras não evoluíram muito, e a volta do futebol ao PV segue incerto nas vésperas do aniversário de 80 anos do estádio, no próximo dia 14 de setembro. Com a segunda onda de Covid-19, chegou a ser cogitado o retorno do hospital de campanha no local. O prefeito de Fortaleza, Sarto Nogueira, descartou a possibilidade pela maior oferta de leitos na rede pública de saúde da capital.

Por Resenha Esportiva.
Matéria do Luciano Rodrigues/GECE.
Foto: Arte Esporte.

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