terça-feira, 25 de agosto de 2020

CONSUMO MODERADO DE CERVEJA NÃO AFETA O TREINO E FAZ BEM AO CORAÇÃO

 


Paixão nacional, a cerveja lidera a lista de alimentos mais consumidos por brasileiros fora de casa, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil. Divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) neste mês de agosto de 2020, o levantamento destacou que, entre junho de 2017 e julho de 2018, pelo menos 51% da população ingeriu cerveja longe do domicílio. Embora a bebida faça sucesso, muitos atletas preferem evitar para não atrapalhar o rendimento nos treinamentos. A boa notícia é que, segundo estudo da Universidade de Granada, na Espanha, publicado esse ano, o consumo moderado de cerveja não afeta o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT). Conforme analisado pelos pesquisadores, a cerveja não interferiu na aptidão cardiorrespiratória e na força muscular de adultos saudáveis, após a ingestão de duas doses diárias para homens e uma dose para mulheres, sendo uma dose o equivalente a uma lata ou um chope de 350 ml. E, segundo especialistas ouvidos pelo EU Atleta, outros tipos de atividades físicas também não são afetados, especialmente se a cerveja for consumida no algumas horas depois do treino.

– O Treinamento Intervalado de Alta Intensidade, também conhecido por HIIT, intercala exercícios curtos de altíssima intensidade com intervalos moderados ou curtos de baixíssima intensidade ou parado. Eles trazem à tona uma prévia em que o indivíduo consiga se condicionar rapidamente. Mas, para isso, o indivíduo usa de toda a energia do corpo para poder processar a alta intensidade. Quando falamos em cerveja, temos que lembrar que a bebida também conta com carboidrato, e o processo da ingestão pode liberar carboidratos que auxiliariam em uma energia de treinamentos como esse. Mas devo lembrar que a cerveja contém álcool, e os rins precisam filtrar esse álcool e toda água do corpo – explica o profissional de educação física Amauri Maroto, pós-graduado em biomecânica, em fisiologia do exercício, em avaliação física e em treinamentos esportivos.
Amauri, portanto, alerta para o consumo exagerado da bebida. Isso porque, segundo Amauri, o álcool "rouba" a água do organismo, já que gera um efeito de absorção das moléculas de água (H2O), o que pode atrapalhar o rendimento do atleta. Por isso, ele recomenda a ingestão de bastante água, a fim de repor os eletrólitos e evitar a desidratação do corpo.

– Beber uma cerveja ou outra não faz mal, mas pode atrapalhar o rendimento quando em quantidades altas, pois a bebida pode trazer desidratação no pós-treino. Isso porque as pessoas precisam ingerir mais água após os treinos. Se a cerveja estiver acompanhada de bastante água, não tem problema, porque você estará fazendo a reposição principalmente do processo eletrolítico de água. Mas se a pessoa tomar apenas cerveja, o álcool roubará mais água do organismo, não causando grandes benefícios – diz ele.

O médico do esporte Páblius Staduto Braga, especialista pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE/AMB) e diretor do laboratório de ergoespirometria e calorimetria indireta do Hospital Nove de Julho, ressalta que é importante fazer o balanço da ingestão de calorias e da energia gasta durante os treinamentos.

– É importante dizer que o consumo moderado da cerveja não influencia no desempenho final do atleta. Claro que o balanço de ingestão de calorias e gasto de energia do treinamento deve estar bem documentado. De forma saudável, a bebida poderia ser ingerida de uma a duas doses por dia durante toda a semana – afirma Braga.

Qual o treino indicado para quem bebe cerveja?

Páblius ainda conta que o HIIT não é o único treino recomendado para quem gosta de beber moderadamente – e sem prejudicar o rendimento. De acordo com o especialista, a organização é essencial para aproveitar os benefícios das atividades físicas e a influência do consumo moderado de cerveja não deve ser sentida em qualquer modalidade escolhida.

– Se houver uma boa estruturação de treinos, uma boa divisão de horários de alimentação e da própria degustação da cerveja, o desempenho físico não será prejudicado. O HITT tem qualidades como treinamento de continuidade, inclusive no auxílio ao emagrecimento e no ganho de performance, mas não deve ser considerado como único ou o melhor. Vale lembrar que é um tipo de treinamento que deve ser bem orientado para pessoas que tenham aptidão a ele – complementa.

Quais são os benefícios da cerveja à saúde?

Além de ajudar na socialização, a cerveja pode fazer bem à saúde do coração. Segundo estudo publicado na revista Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Diseases (Nutrição, Metabolismo e Doenças Cardiovasculares), os benefícios da bebida são semelhantes aos do vinho. De acordo com o médico Páblius Staduto Braga, os polifenóis e álcool presentes no líquido parecem ter efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes no organismo.

– De modo semelhante ao vinho, a cerveja pode diminuir o risco de doenças do coração, como infarto do miocárdio. Em relação aos efeitos cardiovasculares e de defesa do organismo, os polifenóis e o álcool parecem ter efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Além desses efeitos, existe o aspecto comportamental, pelo relaxamento e bem-estar. Tudo de forma moderada, é claro – declara.

A cardiologista Juliana Soares, médica do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, revela que estudos sugerem que a ingestão moderada de álcool pode proteger de doenças das artérias coronárias. Por outro lado, o consumo excessivo tem efeito contrário e está associado à maior incidência de doenças cardíacas e câncer.

– Embora o consumo excessivo de álcool seja inquestionavelmente um risco para a saúde, estudos epidemiológicos e observacionais sugerem que o consumo regular de álcool leve a moderado pode ter um efeito protetor em relação às doenças das artérias coronárias. Esses estudos indicam que bebidas como a cerveja podem exercer diferentes efeitos protetores contra o desenvolvimento da aterosclerose, por atuar no metabolismo dos lipídios (gorduras) e atuação na inflamação das células – alega Soares. – Dados de uma série de estudos sugerem que o consumo de doses baixas de álcool está inversamente associado à apresentação de eventos cardiovasculares, enquanto níveis elevados de ingestão de álcool estão associados a um risco cardiovascular acrescido. Porém, ainda sabe-se pouco sobre os efeitos da ingestão de cerveja sobre a saúde cardiovascular. Não podemos afirmar que a combinação acima tem um efeito comprovado na redução dos riscos. O fundamental é manter uma alimentação adequada e a prática regular de atividade física para, de fato, reduzir os riscos de infarto.

Por Ricardo Pimpão.
Com informações do Eu Atleta/GE.
Foto: Istock Getty Images.

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