quarta-feira, 15 de julho de 2020

CUIDADOS PARA O RETORNO ÀS ATIVIDADES FÍSICAS NA PANDEMIA



Médico cardiologista explica que ainda não é hora de voltar aos esportes coletivos e que medidas de segurança ainda são muito necessárias para evitar a transmissão do coronavírus

Agora que estamos entrando num período de flexibilização no isolamento em função da pandemia de coronavírus, muitos leitores e clientes têm perguntado sobre a mudança de hábitos a que foram submetidos, uns mantendo certo nível de exercícios físicos e, infelizmente, a maioria deixando a desejar no combate ao sedentarismo. Num momento em que as autoridades sanitárias estão liberando parques, clubes sociais e academias, mas sem liberar esportes coletivos, como vamos nos comportar? A resposta tem muito mais a ver com lógica e raciocínio médico preventivo do que com o amor ao esporte.
Inúmeros esportistas já estão organizando jogos em grupo em esportes coletivos, o que ainda não deve ser implementado, pois a relevância da segurança preventiva deve ser seguida. Não se deve praticar esportes coletivos porque não se sabe como está a imunidade dos parceiros dos jogos, e isso é fundamental.
Os clubes de futebol no Brasil, como na Europa, estão seguindo atitudes extremamente cuidadosas e mesmo assim apareceram no noticiário jogadores contaminados. Raros atletas foram internados e mais raros ainda numa UTI: isso seria por que os profissionais estavam bem na sua imunidade? Ou por que o novo coronavírus já está em diminuição da sua virulência? Não sabemos a palavra final, então manter todos os cuidados é obrigatório.
Como vamos agir? A nossa recomendação é a de que todos os atletas façam sua sorologia (IgG e IgM) para conhecer seu estado imunológico, mas em laboratório de análises, não em farmácias, condomínios e lugares não confiáveis. Sempre é necessária a opinião de um médico responsável.
As pessoas que adoeceram, como dissemos em artigos anteriores, devem procurar consulta especializada para investigar possíveis sequelas cardiológicas, com incidência em 10 a 12% dos adoentados. Os que não tiveram complicações vão conferir que estão bem, essa é a nossa recomendação médica.
Quanto tempo depois de curado para voltar aos exercícios e esportes? A palavra de seu médico é a que deve valer. Porém caso não tenha ou não consiga fazer uma avaliação e como regra geral de segurança, espere pelo menos 45 dias do início dos sintomas ou da contaminação, e desde que sinta mais nada e não tenha sido internado poderá voltar aos treinos individuais.
Quanto de esforço poderemos fazer? O plano deve ser começar do zero! Isso mesmo, do zero para readquirir o estado físico ideal em 12 a 14 semanas, na maioria dos casos.
Quem não teve nada e se manteve sob um mínimo de exercícios na quarentena vai buscar seu profissional de educação física ou assessoria e remontar a planilha de acordo com suas condições físicas atuais e nunca as condições prévias que tinha. Não tenham pressa para perder peso e entrar em forma, porque aí sim o risco de se machucar vai aumentar.
Importante manter as seguintes medidas preventivas: máscaras (mais de uma) e o álcool gel sempre fazendo parte do seu equipamento esportivo; um bom (de qualidade e não o mais caro) tênis; garrafa de água (não use bebedouros); as barrinhas de cereais ou proteínas (nunca se exercite em jejum); boné e protetor solar.
Riscos cardiológicos e ortopédicos sempre podem existir por desconhecimento das condições clínicas ou por desvalorizar as possíveis doenças. Pessoas com mais de 45 anos ou com antecedentes familiares de doenças cardiovasculares não devem fazer exercícios sem uma reavaliação cardiológica que inclua o teste de esforço com médico junto no local do exame.
A conquista de benefícios só vai ocorrer se for mantida a regularidade. Vou repetir que exercício não é poupança para o futuro nem vacina preventiva: se parar, perde-se o que se ganhou.
Vamos voltar aos esportes e exercícios com os cuidados e regras sugeridas, e aguardando a vacina eficiente para os próximos meses.


Nabil Ghorayeb
Médico cardiologista do HCor, doutor em Cardiologia na FMUSP, chefe de CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese, Prêmio Jabuti de Literatura, Ciência e Saúde.

Por Helton Rocha.
Com informações do Eu Atleta/Grupo Globo.
Foto: Istock Getty Images.

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